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domingo, 26 de janeiro de 2020

Luiz Coronel - Santa Maria!

boate kissSanta Maria!
Teus jovens, tão jovens, muitas noites de verão, foram ao encontro da morte quando buscavam tão somente a alegria, a confraternização da música, a euforia da festa.

Santa Maria!
Kiss, Kiss, Kiss, o beijo da morte veio envolto em fumaça e na rebentação das labaredas.

Santa Maria!
Quantos sonhos incinerados? Quanto futuro carbonizado?
Mãos prontas para a colheita de diplomas universitários postas sobre o peito, naquele fúnebre e trágico ritual que o verbo morrer conjuga.

Santa Maria!
Nem todas as lágrimas do mundo apagarão tuas chamas ou devolverão a vida aos teus meninos e meninas.

Santa Maria!
Qual oração consola? Que palavras explicam? Que bálsamo ameniza a dor dos pais, irmãos, amigos?

Santa Maria!
Vidas, vidas, vidas, prontas para colher frutos da espera, multiplicarem-se no amor, fertilizarem o tempo com trabalho, eficiência, conhecimento.

Santa Maria!
Não se perderá na fumaça a dor que tua tragédia elaborou.
A raquete na parede, os vestidos nos guarda-roupas, o tênis sob a cama e a ausência em cada canto, nas alamedas da faculdade, no abraço dos amigos, no pranto interminável dos pais.

Santa Maria!
Seja um pungente silencio a mão que acaricia a fonte dos que choram imensurável perda.

Santa Maria!
O tempo ameniza o pranto, mas as cicatrizes desta tragédia hão de perdurar na memória como símbolo de sofrimento, o quanto um soluço rasga o silencio denunciando a mais profunda dor que suporte o coração humano.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Uma xícara de chá

chá
Nan-In, um japonês durante a Era Meiji (1868-1912), recebeu um professor de universidade que veio lhe inquirir sobre Zen.

Este iniciou um longo discurso intelectual sobre suas duvidas. Nan-In, enquanto isso serviu o chá.

Ele encheu completamente a xícara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda. O professor, vendo o excesso se derramando, não pode mais se conter e disse:

-Está muito cheio. Não cabe mais chá!

-Como esta xícara, Nan-In disse, você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como posso eu lhe demonstrar o Zen sem você primeiro esvaziar sua xícara?